Antes de qualquer negociação, vale um passo que parece burocrático e é o mais importante de todos: colocar tudo no papel. Liste cada dívida com três informações, o valor total, a parcela e a taxa de juros ao mês. Essa terceira coluna é a que ninguém olha e é a que decide a estratégia. Não se trata as dívidas na ordem em que elas apareceram, nem na ordem de quem cobra mais insistentemente. Trata-se primeiro a mais cara, porque é ela que está trabalhando contra você com mais velocidade.
E as mais caras costumam ser sempre as mesmas: o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. As taxas dessas duas modalidades ficam em outro patamar, muito acima de qualquer parcelamento comum, e é por isso que quitar ou trocar uma dívida dessas por uma linha de custo menor costuma render mais do que qualquer aplicação disponível. Não é rendimento no sentido literal, mas o efeito no seu orçamento é exatamente esse, porque cada real de juro que você deixa de pagar é um real que fica com você.
Sobre negociar, uma verdade que alivia: credor prefere receber. Uma dívida antiga tem valor incerto para quem cobra, e é por isso que existe espaço real de conversa, com desconto no total, redução de juros ou alongamento de prazo. Procure diretamente o credor ou os canais oficiais dele, confira se a proposta cabe de verdade no seu orçamento antes de aceitar, e peça sempre o acordo por escrito com o valor final e todas as parcelas discriminadas. Aceitar uma parcela que não cabe é apenas adiar o problema com um nome mais bonito.
Vale um cuidado com dois enganos comuns. O primeiro é aceitar um prazo muito longo só porque a parcela ficou pequena, o que pode significar pagar bem mais no fim. Faça a conta do total, não só da parcela. O segundo é confiar em quem oferece solução milagrosa mediante pagamento antecipado. Renegociação séria é feita com o próprio credor e nos canais oficiais, e ninguém precisa pagar taxa a intermediário para conseguir conversar com quem cobra.
Chegar em dezembro com as dívidas caras resolvidas muda completamente o papel do 13º. Em vez de servir para tapar buraco antigo, ele volta a ser o que deveria ser: um dinheiro extra que pode ir para a reserva de emergência, para as despesas do começo do ano e, se sobrar, para uma contribuição extraordinária ao seu plano. É a diferença entre encerrar o ano no zero e encerrar o ano um passo à frente.
E existe um efeito que não aparece na planilha. Dívida ocupa espaço na cabeça, atrapalha o sono e cansa mais do que a maioria das pessoas admite. Resolver uma delas, mesmo a menor, tira um peso concreto do dia e costuma dar fôlego para enfrentar as próximas.
Faça hoje só a primeira parte: liste as suas dívidas por taxa de juros, da mais cara para a mais barata. Amanhã você ataca a primeira da lista.